O Governo moçambicano declarou hoje a sua confiança em "soluções africanas para problemas africanos", visando um continente livre de conflitos até 2020, embora reconhecendo a "responsabilidade primária" do Conselho de Segurança da ONU.
"Quer na República Democrática do Congo ou na Somália, no Sudão do Sul ou na República Centro Africana, homens e mulheres africanos, sob égide da União Africana ou das Nações Unidas, esforçam-se para lograr o almejado objetivo de um continente livre de conflitos e liberto do troar de armas até 2020", assinalou o chefe da diplomacia moçambicana, na abertura da reunião continental de avaliação ao exercício Amani Áfica II.
Discursando para cerca de 200 delegados, incluindo o comissário da União Africana para a Paz e Segurança, Oldemiro Baloi observou, por outro lado, que "o reforço da capacidade de intervenção coletiva do continente não é uma rejeição da assistência da comunidade internacional", nomeadamente do Conselho de Segurança da ONU, ao qual cabe "a responsabilidade primária de manutenção da paz e segurança internacionais".
Baloi referiu-se ao exercício Amani África II, em Adis Abeba e em Lohatla, África do Sul, em 2015, envolvendo cinco mil efetivos civis, militares e policiais de todo o continente, como um sucesso e uma demonstração de prontidão do continente.
"Em Lohatla, confirmámos que, apesar dos desafios diversos e complexos, o continente possui a capacidade necessária para autorizar, planear, desdobrar, dirigir, gerir, manter e retirar missões multidimensionais dos 'capacetes verdes'", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.
O exercício, segundo Baloi, foi também uma forma de dizer ao mundo que "o continente é capaz e está pronto" e "uma prova de que os problemas africanos devem e podem ter soluções africanas".
No entanto, o chefe da diplomacia moçambicana alertou no entanto que o exercício identificou desafios ainda por superar, mencionando as disparidades militares das várias comunidades económicas, mecanismos regionais e Estados-membros.
Estas dificuldades, referiu, "constituem desafios ao desdobramento efetivo de uma força africana em estado de alerta em plena capacidade operacional", salientando a importância dos compromissos assumidos no âmbito dos pactos de não-agressão celebrados ao nível do continente e das regiões.
A reunião hoje iniciada em Maputo, e que se prolonga até sexta-feira, insere-se na presidência moçambicana do órgão da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) para a Cooperação nas Áreas de Política Defesa e Segurança.
Diário Digital com Lusa
Sem comentários:
Enviar um comentário