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21 de março de 2016

MOÇAMBIQUE: Governo moçambicano pressiona o Malawi para não receber refugiados

As autoridades do Malawi suspenderam a transferência de refugiados moçambicanos para um novo campo de acolhimento devido a pressões do governo do presidente de Moçambique, Filipe Nyusi.Por razões políticas, Maputo tem vindo a resistir ao reconhecimento da existência de moçambicanos que procuram refúgio no Malawi.
Refugiados moçambicanos no Malawi
Maputo - As autoridades do Malawi suspenderam a transferência de refugiados moçambicanos para um novo campo de acolhimento devido a pressões do governo do presidente de Moçambique, Filipe Nyusi. Por razões políticas, Maputo tem vindo a resistir ao reconhecimento da existência de moçambicanos que procuram refúgio no Malawi.
Contrariando relatórios e declarações das Nações Unidas, as autoridades moçambicanas insistem em afirmar que os moçambicanos que buscaram acolhimento no Malawi não fogem aos confrontos na região centro do país entre milícias do partido oposicionista Renamo e tropas governamentais.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou recentemente para o aumento do fluxo de moçambicanos que saem de Moçambique devido à instabilidade política e militar.
De acordo com a estatal Rádio Moçambique, eventual transferência dos refugiados para o campo de Luwani, que estava enecerrado há nove anos, foi suspensa, estando dependente da conclusão de negociações com o governo moçambicano.
"Na sexta-feira da semana passada o governo do Malawi anunciou a sua decisão de reabrir o campo de Luwani para realojar as pessoas que fogem de alguns povoados da localidade de Nkondedzi, distrito de Moatize, província central de Tete, alegando violação dos direitos humanos nas suas zonas de origem, uma alegação já refutada pelo governo moçambicano no final de uma investigação realizada no terreno. Fontes malawianas dizem que a suspensão da medida deve-se a um forte protesto do governo moçambicano, segundo a Rádio Moçambique citada pela agência oficial de notícias AIM.
Moçambique insiste que não há guerra no país, argumentando que essas pessoas que fogem para o Malawi não são refugiados e que devem voltar para as suas casas.
A ministra dos Assuntos Internos e Segurança Interna no Malawi, Jean Kalilani, confirmou a suspensão da transferência. 'Suspendemos o realojamento como resultado das discussões com o governo de Moçambique'- disse Kalilani, citado pelo Rádio Moçambique.
Falando numa conferência de imprensa em Genebra, Suíça, o porta-voz do ACNUR, Leo Dobbs, disse que a reabertura do campo de Luwani vai proporcionar melhores instalações e serviços, incluindo água, saúde e educação, além de ser um local mais seguro.
'O ACNUR aprecia a generosidade do Malawi em acolher tantas pessoas. Também reiteramos a importância de manter as portas abertas para essas pessoas ', disse Dobbs, encorajando deste modo os moçambicanos a permanecer no Malawi numa altura em que o governo moçambicano defende o seu regresso ao país.
Entretanto, a Representante do ACNUR no Malawi, Monique Ekoko, disse que ainda não foi informada sobre a suspensão da movimentação dos moçambicanos para Luwani, prometendo que iria se pronunciar após a recepção do comunicado oficial.

'Precisamos de uma notificação oficial do governo do Malawi para o efeito antes que possamos fazer uma declaração'- disse Ekoko.
Africa21 Digital

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