Após 15 anos no poder, o PAICV perdeu as legislativas deste domingo. As eleições foram ganhas pelo MpD, que obteve mais de 50% dos votos.
Praia - O Movimento para a Democracia (MpD) conseguiu este domingo um resultado histórico nas eleições legislativas de Cabo Verde, destronando o PAIGC, partido que há 15 anos governava o arquipélago e que agora foi relegado para segundo plano pelos eleitores cabo-verdianos.
Os resultados provisórios das eleições, quando estavam contabilizados 93% dos votos, atribuem uma maioria absoluta ao MpD, com 53,7% dos votos, seguido do PAIGC, com apenas 37%, e da UCID, com 6,9%.
Com somente seis lugares no parlamento por definir, o MpD assegurou a maioria dos assentos parlamentares, elegendo 37 deputados, contra 26 do PAICV e três da UCID.
Nas eleições deste domingo em Cabo Verde estavam inscritos mais de 347 mil cidadãos, dos quais 222 mil efetivamente exerceram o seu direito de voto. A abstenção foi de 33,4% (111 mil cabo-verdianos não votaram).
Na primeira reacção do MpD sobre esta vitória, Abraão Vicente, da direção de campanha do MpD, saudou "todos os cabo-verdianos que de uma forma efusiva e participativa quiseram mostrar que hoje fizemos história", segundo noticiou a agência Inforpress.
O presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, descreveu a vitória nas legislativas deste domingo como "uma grande vitória, a vitória de Cabo Verde".
Ulisses Correia e Silva fez uma referência especial à ilha do Fogo - onde o MpD ganhou pela primeira vez -, sobretudo para a gente de Chã das Caldeiras, e reafirmou o compromisso de resolver os problemas em definitivo destas gentes, considerando que "o Fogo deu uma demonstração de vitalidade democrática muito forte nestas eleições".
Já Janira Almada, líder do PAICV, reconheceu a derrota. "O PAICV perdeu as eleições e eu, enquanto líder, assumo todas as responsabilidades desta derrota, portanto, estarei, a partir de amanhã, a preparar o partido para os novos embates, e a convocar o Conselho Nacional para a análise dos resultados para podermos continuar fazendo uma oposição construtiva, que se estribe na apresentação de propostas, e ajudar a construir Cabo Verde no caminho de desenvolvimento, como sempre propusemos", afirmou, citada pela Inforpress.
"Estou na política por missão, estarei sempre a servir Cabo Verde e o povo cabo-verdiano, enquanto for útil, e gostaria de agradecer todos os candidatos do PAICV que assumiram esta jornada democrática juntamente comigo, partilharam as nossas visões, as nossas propostas, o nosso programa e os nossos projectos para Cabo Verde", acrescentou Janira Almada.
Africa21 Digital
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