Translate

23 de março de 2016

ANGOLA: UNITA denuncia que militantes foram impedidos de doar sangue em hospital de Luanda

A UNITA, maior partido da oposição angolana, denunciou hoje em comunicado que cerca de 50 militantes foram impedidos de doar sangue no Hospital Geral de Luanda, numa altura em que o país enfrenta uma rotura de dádivas para transfusão.

UNITA denuncia que militantes foram impedidos de doar sangue em hospital de Luanda
O incidente, de acordo a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), teve lugar a 17 de março, num hospital da capital angolana onde morrem diariamente 15 a 20 pacientes,
Contudo, a direção daquela unidade hospitalar já veio a público esclarecer que o partido não terá informado previamente, por escrito, da mobilização deste grupo de militantes para a dádiva, alegando a necessidade de criar condições para a recolha de sangue.
"Fiquei chocado de ouvir que mais de 50 pessoas que ouviram o nosso apelo e foram apresentar-se ao hospital para darem o seu sangue e salvarem vidas, foram rejeitadas porque são da UNITA, quer dizer que se afinal até para salvar vidas é preciso o cartão de membro, então o país está mais uma vez estragado, não podemos também continuar assim", afirma o presidente do maior partido da oposição, Isaías Samakuva, no mesmo comunicado.
"Vimos senhoras mães que vieram ter connosco pessoalmente, desesperadas, queriam até que nós déssemos o nosso sangue ali, para salvar as suas crianças", aponta ainda o líder do partido do ?galo negro'.
O crescimento de casos de malária devido às fortes chuvas e a epidemia de febre-amarela estão a agravar a falta de sangue nos hospitais de Luanda, onde são necessárias 200 dádivas diárias quando atualmente não chegam à centena.
Os números foram revelados hoje pela diretora do Instituto Nacional de Sangue de Angola, Luzia Dias, admitindo que a atual "rotura" era "inevitável" porque se "ultrapassou tudo o que se pensava que podia acontecer", sobretudo na província de Luanda, que conta com mais de 6,5 milhões de habitantes.
"Nunca houve tantas pessoas com malária, tantas crianças nos bancos de urgência, como tem havido agora", reconheceu Luzia Dias, salientando que atualmente "há muito menos pessoas a doar sangue".
Este incidente com militantes da UNITA foi denunciado horas depois de uma comitiva da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), o segundo maior partido da oposição, ter visitado o hospital Josina Machel, em Luanda, tendo divulgado imagens de cerca de 60 jovens militantes a doarem sangue.
A visita, que se realizou na terça-feira, foi liderada pelo presidente da formação política, Abel Chivukuvuku, que aponta a "realidade arrepiante" das unidades de saúde de Luanda, fruto da crise financeira do país e surto de doenças e falta de limpeza na capital, mas admitindo o hospital Josina Machel como uma exceção neste cenário.
Considerado o maior hospital de Luanda, conta com 1.896 funcionários dos quais 1.322 efetivos, para mais de 700 pacientes internados e cerca de 500 que ali se deslocam às urgências diariamente.
Diário Digital com Lusa

Sem comentários:

Enviar um comentário